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Escola Secundária de Ponte de Sor
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A escola é uma instituição que ensina, embora deva ser igualmente uma organização que aprende. Muito se fala do currículo da escola, ou seja, aquilo que os alunos devem aprender, a forma como devem aprender e como se deve proceder à avaliação dessa aprendizagem. Porém, raramente se pensa num currículo para a escola, a saber: o que é que a escola tem de aprender e porquê, como pode concretizar esse desígnio, quais os obstáculos encontrados para que essa aprendizagem seja real e como comprovar se essa realização é efetiva e, sobretudo, entusiástica.

A Escola que Aprende

O que é que se deve ensinar aos alunos? Como ensinar? Como saber se aprenderam? Como adaptar-se a cada um? É com base nesse propósito que se elabora um curriculum básico comum que será, posteriormente, adaptado pelas diversas instituições de acordo com as características, exigências e necessidades específicas dos alunos e alunas. Definem-se conteúdos, elegem-se métodos, realizam-se avaliações, estabelecem-se normas de funcionamento, tudo em prol da aprendizagem dos alunos.

Este desígnio coloca um outro aspeto complementar, frequentemente ignorado. É necessário que a escola também aprenda. Isto porque tem de saber dar resposta a essas perguntas e, desde logo, apresentar novas questões: Como saber se a atividade escolar satisfaz os fins propostos? Como descobrir novos pressupostos, novas exigências? A história, a ciência, a arte e a filosofia... avançaram através de novas perguntas ou da reformulação das anteriores. As perguntas sobre a aprendizagem dos alunos devem ser complementadas por outras relacionadas com a aprendizagem da própria instituição: o que é que as escolas devem aprender? O que devem fazer para desenvolver adequadamente a formação? Quais os obstáculos para a aprendizagem? Que qualidades devem apresentar para que a tarefa que realizam não entre em contradição com o que ensinam?

Considerando que as escolas são instituições de ensino, não será descabido perguntar como é que as escolas aprendem. No entanto, apesar de ser uma pergunta demasiado lógica, raramente é colocada.

É necessário elaborar um metacurriculum para a escola. Ou seja, um curriculum que contemple os conteúdos da aprendizagem que a escola deve realizar, os métodos que devem ser empregues para a sua assimilação, os meios necessários para a sua prossecução e os mecanismos de avaliação que permitam aferir a sua adequada e oportuna aplicação.

Não me refiro às aprendizagens que cada um dos profissionais deve realizar individualmente por sua conta e risco, fora da instituição, mas sim das aprendizagens de carácter concertado, realizadas no âmbito da sua aplicação prática. Falo de aprendizagens institucionais que, embora circunscritas, ultrapassam a simples ação individual de cada membro do centro. Faria sentido que uma equipa cirúrgica com um elevadíssimo nível de fracassos nas suas intervenções restringisse a formação dos seus membros à mera assistência a congressos internacionais a título individual, sem se preocupar em analisar os acontecimentos dentro do bloco operatório, sem rever a coordenação entre os diferentes membros da equipa, sem estudar a adequação dos tempos e materiais disponíveis, sem conhecer o tipo de pacientes que recorrem ao hospital, sem saber como se fazem os diagnósticos e como são os tratamentos pós-operatórios? Ou seja, não só é necessário que cada professor aprenda, mas que seja também a própria escola a aprender enquanto instituição.

É evidente que o melhoramento escolar só será possível se a escola, enquanto organização, for capaz de aprender, não apenas ao nível dos indivíduos, professores ou diretores, mas de forma a que a própria escola possa ultrapassar um dado comportamento ineficaz através de uma colaboração estreita.

A escola tem de aprender para saber e essa aprendizagem significa saber ensinar, saber a quem se ensina e onde se processa esse ensino. Longe de depender exclusivamente da vontade de cada um seus membros, exigem-se estruturas que a tornem viável e uma dinâmica capaz de transformar os ensinamentos teóricos em intervenções eficazes.

É necessário que a escola saiba como aprender, já que o saber não se adquire de forma espontânea, automática e fortuita. Como é que a escola pode realizar de forma sistemática e enriquecedora as aprendizagens de que necessita? Essa é a questão que nos ocupa.
É importante que a escola disponha dos meios para desenvolver os ensinamentos necessários de forma ininterrupta e concertada. Quando todo o tempo é dedicado à ação, é impossível refletir sobre essa ação. Quando todo o tempo é trepidantemente repleto por atividades intensas e cegas, jamais será possível articular um debate abrangente e transformador.
É necessário que a escola saiba o que se passa com os processos de intervenção realizados tendo em vista a aprendizagem dos alunos. Se os processos atributivos forem simplificados, é natural que qualquer explicação seja facilmente adulterada e que esse mesmo mecanismo seja utilizado ao serviço de interesses particulares ou corporativos.

Uma escola inteligente ou em vias de o ser, não pode centrar-se exclusivamente na aprendizagem reflexiva dos alunos, mas deve sobretudo ser um informado e dinâmico que proporcione uma aprendizagem igualmente para os professores.

Se explicasse todo o fracasso que se produz na escola devido a causas atribuídas à Administração, à família e ao aluno, jamais seria possível compreender o que se passa concretamente. Por outro lado, é óbvio que estes processos de análise são claramente desculpabilizantes. Na minha obra Avaliar é compreender faço referência a uma experiência realizada num estabelecimento de ensino secundário. Assistia, então, a uma sessão de avaliação da equipa pedagógica. Nela, os professores assinalavam as causas do insucesso dos alunos. Todas todas! as explicações centravam-se nas deficiências dos alunos ou da família.

São vagos
São preguiçosos
Estão mal preparados
Estão desmotivados
Não têm métodos de estudo
Têm problemas
Deixam-se influenciar negativamente
A família não os ajuda
Estão integrados num grupo péssimo
Têm mau ambiente
Vêem demasiada televisão
Andam pelas ruas
Portam-se mal...

Não nego que parte dessa explicação esteja nas causas enunciadas pela classe docente. No entanto, se explicarmos tudo dessa forma, é impossível que apareçam perguntas sobre a natureza e estruturação dos conteúdos, a metodologia utilizada pelo profissionais e respetiva coordenação, a avaliação efetuada, o ambiente na sala de aula, o nível de exigência, o sentido da escola... E, quando não existem perguntas, dificilmente procurar-se-ão respostas. Quando o diagnóstico é mal feito, as soluções são inevitavelmente deficientes.
O que choca mais é a frequência com que os professores insistem na necessidade de aprender. No entanto, estas considerações também se estabelecem na direção descendente. O enfoque é dado à necessidade dos alunos aprenderem. Os professores ensinam. Os alunos aprendem. Desta forma, ficam atrofiadas as seguintes dimensões, na minha opinião, verdadeiramente capitais:

Os professores aprendem
A escola aprende
Os alunos ensinam os professores
Os alunos aprendem uns com os outros
Os professores aprendem juntos
Todos aprendemos uns com os outros.

Miguel Santos Guerra

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